sábado, 12 de janeiro de 2008

Viagens...

O metro corria pelas artérias da cidade, correrias diárias, um afluxo de gente e de histórias que se confundem na passagem das carruagens.. Nessa carruagem ia a rapariga, de olhar fixo e vazio, indiferente ao que se passa ao seu redor. Ela estava inquieta, uma inquietude calma, silenciosa que só se via no olhar.. mal de amores certamente.. Observei a rapariga com toda a minha atenção, a energia que dela emanava parecia gritar um estado de sofrimento. Ao seu redor sentia-se como uma espécie de transpiração, uma suspensão de sentimentos e emoções.. Todos os dias vejo aquela rapariga, de vestimenta sóbria, clássica, simplesmente banal, sem algum apontamento de cor. Os seus olhos falam mais do que deviam, estão prontos a soltar as lágrimas que certamente estão contidas pela pressão social..
A rapariga sai, mas a energia permanece na carruagem como um caçador à procura da próxima presa para se instalar... Vai para longe, não venhas para o meu lado, pois paciência não tenho, penso eu.... O metro chia ao chegar à estação terminal, acabou por hoje, amanhã verei novamente a rapariga com aquele olhar triste..
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