segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

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O metro ia semi cheio, percorrendo os túneis que tão bem sabe.
Da janela observava a escuridão do túnel como se perpétuamente me ditasse o futuro, que aperto no peito eu senti pela tua ditadura. Ao fundo na carruagem duas raparigas conversavam, notava-se que eram amigas e uma delas desabafava com a outra sem se importar que outras pessoas pudessem ouvir. A sua voz era pesada um pouco desafinada, talvez da força que fazia para não chorar...
Que mal lhe acontecera para tão grande dor a invadir??? A amiga aflita tentava a acalmar com palavras, ela pressentia que a barreira estava quase a ceder. Percebia -se perfeitamente que aquela rapariga ia chorar à frente de toda a gente... Era uma premonição tão certa como o túnel negro que atravessávamos... O metro nunca mais chegava à sua estação final, insistia em correr, em andar, em perpetuar aquela dor, aquela leve transpiração, aquela angústia que pairava no ar..
Nisto de rompante a barreira cedeu... Olhei e a rapariga já não continha mais as lágrimas, não conseguiu esperar pelo final do túnel, não conseguiu esconder a sua dor.. Todos notámos que ela não teve vergonha porque não sabia que outra coisa fazer.. Olhavam para ela, há quem quisesse intervir mas não valia a pena, o murro já tinha cedido, ouvia-se soluçar, um certo gemido, ela sofria.. A amiga lá a abraçou e protegeu a sua face dos olhares alheios.
Finalmente o metro parou, já não fazia sentido continuar a andar, a última estação chegara e já o muro tinha cedido, por isso não fazia mais sentido... As pessoas foram saindo olhando de esguelha como se preocupados estivessem.. As amigas preparavam se para sair... Olhei nos olhos na rapariga que chorava, olhei novamente e a reconheci... Ah és tu??
Aquela rapariga era eu!!!
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