sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Medo de ter o medo....



Quando sentimos a morte a roçar a pele, num pulsar de ondas que nos cobrem o corpo e quase nos faz desfalecer, nesse momento sentimos o pior dos sentimentos humanos: o medo.
Pior do que o medo racional de algo, alguém ou de uma situação, é o medo do nada e ao mesmo tempo de tudo.
É isto que caracteriza o conhecido Distúrbio de Pânico. Embora não existam dados concretos, calcula-se que de dois a quatro por cento da população mundial sofra desta doença. Em Portugal, as estimativas apontam para mais de meio milhão de pessoas afectadas. Este distúrbio caracteriza-se pelo aparecimento em poucos minutos, cerca de 10, de uma sensação de desconforto que se vai agravando acabando por se tornar numa sensação de terror, pânico ou mesmo a sensação que vamos morrer. Por norma estes ataques aparecem de surpresa e sem aviso prévio. A pessoa pode estar em casa, na rua, num transporte, no carro, na discoteca, ou mesmo num cinema. O local é indiferente mas o que é certo é que a partir do primeiro ataque, outros se sucedem em curtos espaços de tempo, dotando o indivíduo de uma incapacidade incompreensível. Regra geral, este distúrbio leva a outras perturbações como a depressão, tentativas de suicídio, medo generalizado, agorafobia, entre outras. A maioria das pessoas que sofrem deste distúrbio têm a plena sensação que vão morrer, e muitas vezes são levadas ao hospital com o diagnóstico de ataque cardíaco e insuficiência respiratória. A partir daí os ataques sucedem-se de forma galopante e regra geral as pessoas descrevem todo este processo como o "medo de ter o medo".
O tratamento é sobretudo farmacológico, tendo resultados muito positivos em cerca de 70 a 90 % dos pacientes. Por vezes é feita a terapia comportamental de modo a dotar a pessoa de técnicas que as ajudem em caso de novas recaídas ou a identificar os sinais iniciais de uma possível crise de modo a travar a mesma.
Este distúrbio afecta milhares de pessoas, trancado-as em casa, despersonalizando-as por completo e acima de tudo é uma luta para a vida, pois não tem cura. No fundo as pessoas não vencem o medo, apenas sobrevivem a ele....
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