sexta-feira, 5 de junho de 2009

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A chuva batia na janela como um prisioneiro bate com uma caneca nas grades... Também eu sou um prisioneiro.. da mente, de pessoas, de cheiros, de sentimentos de tudo aquilo que me rodeia e me prende aqui..
A chuva era fria e cortante como um olhar marcante que nos penetra no mais fundo e nos sentimos despidos e indefesos.
As palavras são incómodas, fazem estragos, tal como essa chuva que cai bem perto da minha janela.
Ao fundo, as pessoas correm para quê, não sei, numa busca constante onde não encontram e tudo procuram... Que idiotas, não sabem que podem correr a vida inteira que aquilo que eles querem nunca vão ter. É assim que as coisas funcionam, eu sei!

Que pressa é aquela? Não percebo porque tanto correm se estão sempre no mesmo sitio. Eu cá do alto olho e ao mesmo tempo sinto como algo inquietante como uma precoupação por aquelas almas. Andam cegas, riem sem saber do quê, falam do que não sabem, vivem o que não é deles mas não choram o que lhes é devido.

E a chuva continuava a cair...

Ai que revolta, quem acorda aquelas almas e diz-lhes que a vida não é mais do que isto, segundos, minutos, horas, dias, semanas meses e anos e que vivemos como prisioneiros onde a chave há muito se perdeu no infimo do espaço..
Ai ai tanta ilusão.. e eles continuam a correr...

É melhor deixá-los assim, assim não sofrem, não sabem..

Eu cá do alto sei e vejo, mas hoje também não lhes vou dizer...

Vou deixá-los viver mais um pouco naquela instãncia..

E depois de tudo isto volto à minha realidade e penso...


A chuva ainda continua a cair...
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