quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A chuva batia..

A chuva batia na janela como pequenas pinceladas num vidro difuso. À janela, o pequeno gato lambia uma pata com afinco e reparei o quanto ele era feliz.
Ao fundo na rádio passava uma música, a nossa música.
Faz um tempo desde que saí da tua vida, ou saíste tu da minha?
Soube que tiveste alguém, ou ainda a tens... Mas não quero pensar nisso, agora não.
Isto porque ainda o teu cheiro e o teu gosto permanecem à flor da pele como uma leve transpiração que se solta de um abraço.
Contorci os dedos com fervor para afastar a imagem de outra pele a corromper a tua.
Olhei para o céu e ele, cinzento e chuvoso anunciava o meu estado de espírito dentro de momentos.
Conheces-me tão bem...
O vento juntou -se percorrendo as ruas num assobio, como miúdos que fazem gazeta pelas ruas com os seus gritos infantis extasiados pela vida.
A janela carregada de gotas que me mostravam imagens nossas, tentavam penetrar em mim pois o aperto da tua ausência estava no auge e eu ali sozinha, era um alvo fácil.
A música terminou, o gato adormeceu e apenas fiquei eu, o vento e a chuva...
Por mais chuva que caia não limpa as minhas mágoas e por mais vento que corra não varre as minhas angustias.
Pois mais fervorosos que o vento e a chuva sejam, nada se compara ao lamurio que os meus lábios sequiosos de ciume demonstram por não estares ali..
Acordei do delírio e a única coisa real ali é o facto de que lá fora a chuva batia na janela como pequenas pinceladas num vidro difuso....
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